Que o Quarteto Fantástico finalmente chegou ao MCU, a gente já sabe! *The Fantastic Four: First Steps* pode não ter explodido nas bilheterias como alguns esperavam, mas a aclamação da crítica foi quase unânime, e isso, meus amigos, é um marco. Depois de décadas de tentativas que, vamos ser sinceros, foram mais “misfires” do que acertos, parece que a Primeira Família da Marvel está no caminho certo. Mas antes de Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach darem o ar da graça, e até mesmo antes dos filmes da Fox de 2005 e 2015, existiu uma versão do Quarteto Fantástico que quase ninguém viu. Uma história que mistura paixão, manobras corporativas e uma dose de tragédia digna de um bom drama de Hollywood.
A Maldição do Quarteto nas Telonas: Um Histórico Complicado
É impressionante como o Quarteto Fantástico, uma das equipes mais icônicas da Marvel, teve uma jornada tão turbulenta no cinema. A versão de 2005 até que se saiu bem nas bilheterias, mas a crítica não perdoou. A sequência, *Ascensão do Surfista Prateado* (com um Surfista Prateado que, convenhamos, merecia mais!), também não convenceu, e a Fox decidiu engavetar a franquia. Aí veio o reboot de 2015, dirigido por Josh Trank, que conseguiu a proeza de unir fãs e críticos em um coro de desaprovação. Foi um desastre tão grande que até hoje é lembrado como um dos piores filmes de super-heróis. Mas, acreditem, a saga dos “filmes problemáticos” do Quarteto começou muito antes, em 1994, com uma produção que foi literalmente “enterrada”.
O Filme Perdido: Uma Tragédia Nos Bastidores
Imaginem a cena: é 1994, um filme do Quarteto Fantástico está pronto, é promovido na San Diego Comic-Con, tem data de lançamento marcada e até um local de estreia mundial no Mall of America, em Minneapolis. Trailers rodaram nos cinemas, o elenco fez a tour de convenções, tudo seguindo o roteiro de um grande lançamento. A Fox chegou a anunciar 31 de maio de 1994 como a data oficial, e o prefeito da cidade sede da première estava pronto para declarar o dia como o “Dia do Quarteto Fantástico”. O diretor Oley Sassone comandou um elenco que incluía Alex Hyde-White como Reed Richards, Rebecca Staab como Sue Storm, Jay Underwood como Johnny Storm e Joseph Culp como Doutor Destino. Tudo isso com um orçamento minúsculo de 1 milhão de dólares, uma pechincha até para a época.
A pergunta que não quer calar é: por que quase ninguém viu esse filme? A resposta é uma aula de como o mundo dos direitos de propriedade intelectual pode ser cruel.
A Jogada de Mestre (e o Coração Partido dos Fãs)
A história por trás do *Quarteto Fantástico* de 1994 é um daqueles contos de bastidores que nos fazem questionar a indústria. O produtor alemão Bernd Eichinger detinha os direitos cinematográficos da equipe desde 1983, comprados diretamente de Stan Lee. Em 1992, esses direitos estavam prestes a expirar, e a única forma de mantê-los era iniciar uma produção antes do prazo final. A solução? Uma parceria com o lendário Roger Corman (conhecido por filmes de baixo orçamento e produções rápidas) para fazer um filme por 1 milhão de dólares. Se o filme chegaria ou não ao público era uma preocupação secundária no acordo de direitos. Era uma manobra para “segurar” a propriedade intelectual, uma tática não incomum em Hollywood, mas que deixou um rastro de desilusão.
O mais trágico de tudo é que o elenco e a maior parte da equipe não sabiam que estavam participando de uma “jogada” para preservar direitos. Compositores como David e Eric Wurst gastaram 6.000 dólares do próprio bolso para financiar uma orquestra de 48 peças para a trilha sonora, acreditando que o investimento valeria a pena. Hyde-White, Staab, Underwood e Culp dedicaram seu tempo e talento a uma produção que os explorava em uma transação de direitos da qual não tinham conhecimento. É de partir o coração!
Pouco antes da estreia, Eichinger informou Sassone que o filme não seria lançado. Avi Arad, co-fundador da Marvel Studios na época, acreditava que uma produção de baixo orçamento como aquela poderia prejudicar a marca e se moveu para comprar todas as cópias existentes, ordenando sua destruição. A Marvel chegou a emitir uma ordem de “cessar e desistir” ao elenco para impedi-los de falar sobre o filme em público. A sobrevivência do filme se deve inteiramente a cópias piratas que circularam nos anos seguintes, vazando em VHS e passando de fã para fã. Em 2015, o documentarista Marty Langford produziu *Doomed! The Untold Story of Roger Corman’s Fantastic Four*, finalmente dando voz e reconhecimento à paixão daquele elenco. E pasmem: em 2024, Joseph Culp (o Doutor Destino) lançou uma petição no Change.org exigindo que a Disney desse ao filme um lançamento oficial, coletando milhares de assinaturas. Até hoje, o *Quarteto Fantástico* de 1994 permanece oficialmente indisponível.
Redenção Multiversal: O Resgate da História no MCU?
Com *Vingadores: Doomsday* e *Vingadores: Secret Wars* no horizonte, o MCU está se preparando para suas histórias multiversais mais ambiciosas. E é exatamente aqui que vejo uma chance de ouro para fazer justiça ao elenco do *Quarteto Fantástico* de 1994. A franquia já provou que está disposta a homenagear personagens e estrelas de fora do MCU. *Deadpool & Wolverine* trará de volta o Johnny Storm de Chris Evans (sim, o da Fox!) e a Elektra de Jennifer Garner, além de Blade de Wesley Snipes e até Channing Tatum como o Gambit que ele nunca interpretou. *Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa* uniu três gerações do herói, e *Doutor Estranho no Multiverso da Loucura* trouxe John Krasinski como uma versão do Reed Richards para delírio dos fãs. Em breve, *Vingadores: Doomsday* integrará artistas dos X-Men da era Fox.
Alex Hyde-White, Rebecca Staab, Jay Underwood e Joseph Culp foram privados de uma estreia no cinema onde o público pudesse ver seu trabalho. Com o Reed Richards de Pedro Pascal e o restante do elenco de *First Steps* no centro dos próximos filmes dos Vingadores, há uma chance real de que a Marvel Studios traga de volta essas iterações passadas para honrar a rica e, por vezes, dolorosa história da Marvel no cinema. Seria um aceno não só para os fãs de longa data, mas uma forma linda de reconhecer a paixão e o trabalho de artistas que foram usados numa manobra corporativa. O Quarteto Fantástico de 1994 merece ter sua história restaurada. Que venha o multiverso!
*Vingadores: Doomsday* estreia em 18 de dezembro de 2026, e *Vingadores: Secret Wars* em 17 de dezembro de 2027.