Ah, a eterna busca pelo terror puro! Para nós, apaixonados por games, não há nada como a nostalgia de um bom survival horror, especialmente aqueles que definiram o gênero na era dourada do PlayStation One. Muitos desenvolvedores indies buscam inspiração em gigantes como *Castlevania* e *Mega Man*, mas quando o assunto é arrepiar os cabelos e gerenciar inventário com sabedoria, a fonte é uma só: *Resident Evil*. E é exatamente nessa veia que *Ground Zero* promete nos levar de volta às origens do medo, mas será que ele consegue entregar a experiência que tanto ansiamos?
Um Salto no Tempo com Toque Moderno
Reprodução.
É inegável que a franquia *Bio Hazard* (como é conhecida no Japão) da Capcom deixou uma marca indelével. Aqueles cenários pré-renderizados, ângulos de câmera fixa que nos deixavam tensos a cada esquina, e a sensação constante de vulnerabilidade… uma fórmula mágica! *Ground Zero*, lançado em 16 de abril pela Kwalee, mergulha de cabeça nessa receita. No controle de Seo-Yeon, uma agente de elite coreana, e seu parceiro canadense, somos jogados em Busan, uma cidade devastada por um meteoro e infestada por criaturas bizarras. A premissa já me fisgou: um cenário apocalíptico na Coreia, com um toque de ficção científica, me faz lembrar de filmes como *Invasão Zumbi* (Train to Busan) misturado com a atmosfera de isolamento de um *Dead Space* ou até mesmo um *The Last of Us*, mas com a roupagem clássica.
Nostalgia Visual, Inovações na Jogabilidade
O que mais me chamou a atenção, e que me fez dar um “grito” de empolgação, foi a escolha visual: ângulos de câmera fixa e cenários que emulam o visual pré-renderizado do PS1, mas com a potência da Unreal Engine 5! É como se o console da Sony tivesse sido turbinado no futuro e voltasse para nos dar o *Resident Evil* que sonhávamos. Essa fusão de “vintage” com “cutting edge” é uma tendência que vemos em vários indies, como *Signalis* ou *Tormented Souls*, que também souberam capturar essa essência.
Kwalee / Divulgação
Mas *Ground Zero* não é apenas uma cópia. Ele traz novidades interessantes: podemos bloquear, esquivar e até revidar com golpes de artes marciais. Isso adiciona uma camada de dinamismo que os clássicos não tinham, tornando o combate menos engessado e mais estratégico. A mira livre, ainda que opcional, é um plus para quem prefere mais controle. No entanto, confesso que uma mecânica me pegou de surpresa e não de um jeito bom: o recarregamento manual de munição. Sim, você precisa apertar o botão R para recarregar. Em um momento de pânico, com uma criatura babando na sua nuca, ter que lembrar de apertar um botão extra para não ficar sem balas pode ser a diferença entre a vida e a morte, e muitas vezes resultou em dano desnecessário para mim. É uma tentativa de aumentar a tensão, mas que, na prática, pode ser só frustrante.
Os Espinhos no Caminho do Terror
Infelizmente, nem tudo que brilha é ouro, e alguns pontos de *Ground Zero* me fizeram torcer o nariz. O jogo peca no *backtracking* excessivo. Voltar e revistar as mesmas áreas repetidamente, sem muita variação ou novos desafios, pode quebrar a imersão e tornar a experiência monótona. Lembro dos *Resident Evil* clássicos, onde o *backtracking* era parte da exploração de um mapa complexo, mas aqui, parece que o objetivo é apenas esticar a duração do jogo.
Outra “inovação” que achei questionável são os baús que exigem *puzzles* para serem abertos e guardar seus itens. Embora a ideia de *puzzles* seja central ao gênero, ter que resolver um enigma toda vez que quero guardar um spray de cura, especialmente quando estou longe de um ponto de save, é mais um incômodo do que um desafio divertido. Parece uma tentativa de adicionar complexidade onde não era realmente necessária, transformando o que deveria ser um momento de alívio em mais uma barreira.
Veredito: Potencial que Pede Mais Polimento
*Ground Zero* tem um potencial gigantesco. A paixão pela era PS1 é visível em cada pixel e na atmosfera de terror que ele consegue criar. É um aceno carinhoso aos fãs de *Resident Evil* que sentem falta daquele terror mais pausado e claustrofóbico. No entanto, as escolhas de design em relação ao recarregamento, *backtracking* e os baús com *puzzles* acabam atrapalhando a experiência, transformando o que poderia ser um clássico instantâneo em um jogo que, embora divertido, tem suas falhas.
Minha nota é 6/10. Ele acerta em muitos pontos que amamos no survival horror clássico, mas tropeça em outros que poderiam ter sido melhor pensados. Se você é um fã fervoroso da era *Resident Evil* do PS1 e busca um jogo que tente replicar essa sensação, *Ground Zero* vale a pena ser conferido, mas vá preparado para algumas peculiaridades.
*Ground Zero* está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC (via Steam).
*Agradecimentos a Kwalee pelo envio do material. Análise feita na versão da Steam.*