A DC Comics está em um momento de pura adrenalina, entregando HQs que voam das prateleiras e conquistando corações por aí. Para muitos de nós, fãs apaixonados, a editora está dando um show de bola na qualidade das histórias, superando até mesmo a Casa das Ideias em alguns aspectos. Mas, óbvio, essa não é a primeira vez que vemos a DC brilhar assim! Quem é da velha guarda (ou quem pesquisa a história dos quadrinhos como eu, a Lana!) sabe que nos anos 90, enquanto a concorrência focava em arte chamativa e excessos, a DC estava lá, quietinha, lançando algumas das melhores narrativas de super-heróis já imaginadas, tanto em sua linha principal quanto no selo Vertigo, que era puro ouro para leitores mais maduros.
Os Anos 90 na DC: Reinvenção e Ousadia
Os anos 90 são frequentemente rotulados como uma década “ruim” para os quadrinhos, com uma overdose de músculos, capas holográficas e violência gratuita. Mas, como em toda regra, há exceções gloriosas! A DC, com sua visão única, estava produzindo obras que simplesmente se destacavam da massa, superando o que Marvel, Image e outras editoras independentes ofereciam. Claro, nem todas envelheceram como um bom vinho, mas algumas delas… ah, essas sim ficaram ainda mais relevantes e poderosas com o passar dos anos. É como redescobrir uma banda clássica da sua juventude e perceber que as letras fazem ainda mais sentido hoje.
Meta-Narrativas Que Desafiam a Realidade
Vamos começar com uma viagem mental que me deixa arrepiada só de pensar!
Animal Man #26
Image Courtesy of DC Comics
“Animal Man” foi o primeiro grande triunfo de Grant Morrison na DC, e, sinceramente, toda a fase dele que saiu a partir de 1990 poderia estar nesta lista. Mas vamos focar na cereja do bolo: “Animal Man #26”, de Morrison e Chas Troug. Este número é o ápice da jornada, com o próprio Animal Man encontrando… Grant Morrison! Minha nossa, que sacada genial! Os dois conversam sobre a violência que nós, humanos, infligimos às nossas criações ficcionais e o que isso diz sobre nós. Morrison, então, dá ao herói o final mais feliz possível para compensar todo o tormento. Essa HQ é uma das mais profundas que você vai ler, com sua natureza meta prefigurando o futuro do Multiverso DC e como ele interagiria com o mundo real — e vice-versa. É um espelho que, hoje, com a popularização de meta-narrativas em filmes e séries, ressoa ainda mais forte.
The Invisibles
Image Courtesy of Vertigo/DC Comics
Se “Animal Man” já te fez questionar a realidade, prepare-se para “The Invisibles”! Essa é a grande obra de Grant Morrison nos anos 90 e, para mim, é um quadrinho que nunca envelhece. Acompanhamos um grupo de “Invisíveis”, uma irmandade secreta de anarquistas e magos de todas as estirpes, em sua guerra contra a Igreja Exterior – entidades lovecraftianas que fizeram um pacto com os poderosos do mundo para transformar a realidade em um inferno. Morrison trabalhou com alguns dos maiores artistas da época, como Jill Thompson, Frank Quitely e Phil Jimenez, para criar uma HQ que encapsulou perfeitamente a cultura pop dos anos 90, enquanto oferecia uma profunda meditação sobre os mistérios da humanidade. Hoje em dia, em um mundo onde oligarcas parecem estar fazendo as coisas mais terríveis imagináveis nos bastidores, o conflito entre os Invisíveis e a Igreja Exterior ressoa ainda mais. É um convite a questionar tudo!
O Legado dos Heróis e a Busca por Significado
Aqui, a DC nos mostra o verdadeiro coração do heroísmo.
Kingdom Come
Image Courtesy of DC Comics
“Kingdom Come” é uma história icônica que, para mim, é atemporal, mesmo tendo sido escrita como uma resposta direta aos quadrinhos dos anos 90. A obra-prima Elseworlds de Mark Waid e Alex Ross mostra Superman e sua geração de heróis retornando aos holofotes depois que seus descendentes mais brutais permitem que um desastre mate milhões. Mas forças sombrias não querem a velha guarda de volta, levando a uma guerra que pode destruir o planeta. Essa história é tudo sobre o verdadeiro significado do heroísmo, uma reação ao “grimdark” e à violência gratuita da década “do extremo”. Hoje, o livro ainda é um manifesto sobre o que os super-heróis deveriam ser, especialmente em um mundo onde “The Boys” e “Invincible” tornam suas histórias mais sombrias e violentas do que nunca. É um lembrete de que o poder não deve corromper o ideal.
The Golden Age
Image Courtesy of DC Comics
“The Golden Age”, de James Robinson e Paul Smith, nos lembrou por que os heróis da Era de Ouro da DC eram tão incríveis. Essa minissérie Elseworlds se passa após a Segunda Guerra Mundial, enquanto os super-heróis dos Estados Unidos tentam se adaptar a um novo mundo. No entanto, um velho inimigo tem um plano para trazer de volta o maior vilão do mundo em um esquema que os desintegrará por dentro. Essa história foi o início do renascimento da Era de Ouro nos anos 90 e ainda se mantém firme. É uma história que se encaixa perfeitamente em nosso clima político atual, onde inimigos secretos esperam nos lugares mais seguros e aqueles no poder escondem os piores segredos. Uau!
The Flash (Vol. 2) #62-155
Image Courtesy of DC Comics
Wally West é, para muitos, o melhor Flash, e tudo começou com a fase de Mark Waid nos anos 90 em “The Flash (vol. 2)”. Waid assumiu a revista no número 62 em 1992 e escreveu quase todas as edições pelo resto da década, com sua fase se estendendo pelos anos 2000. O tempo de Waid com o Velocista Escarlate permitiu que Wally saísse da sombra de Barry Allen e finalmente se tornasse seu próprio herói, iniciando-o no caminho para se tornar o ícone que é hoje. Waid trabalhou com artistas incríveis, com o falecido e grande Mike Wieringo sendo um favorito dos fãs. Essa é a essência do Flash e uma das melhores fases solo de super-heróis de todos os tempos. Se você gosta de velocidade, emoção e desenvolvimento de personagem, essa é a pedida!
JLA #1-41
Image Courtesy of DC Comics
Ok, confesso que essa é um pouco “trapaceira”, já que estou contando edições posteriores a dezembro de 1999 e não fiz isso para “The Flash (Vol. 2)”. Mas, gente, a fase de Grant Morrison e Howard Porter na “JLA” (junto com várias histórias de Mark Waid) é *essencial* para entender o que torna a série tão especial! Esse título trouxe de volta a versão da Liga da Justiça com os “Sete Grandes” e os colocou nas maiores aventuras imagináveis, assim como a antiga Liga da Justiça da América da Era de Prata. Isso é perfeição de equipe de super-heróis em sua forma mais pura. É o tipo de HQ que mostra como os quadrinhos de equipe modernos são inadequados, e é, de alguma forma, ainda melhor do que era na época, o que é dizer muito!
Vertigo: A Coragem de Quebrar Barreiras
E para os que gostam de um toque mais adulto e subversivo, a Vertigo entregava ouro!
Preacher
Image Courtesy of Vertigo/DC Comics
“Preacher”, de Garth Ennis e Steve Dillon, tomou o trono de HQ mais vendida da Vertigo de “The Sandman” e correu com ele! O livro segue Jesse Custer, um homem forçado a se tornar pastor por sua família insana, depois de ser possuído pela força meio-anjo/meio-demônio Gênesis. Ele descobre que Deus abandonou o Céu por causa desse novo ser e parte com sua ex-namorada/assassina Tulip O’Hare e o vampiro irlandês Proinsias Cassidy para confrontá-Lo na road trip mais estranha de todos os tempos. Essa HQ é violenta e exagerada, uma viagem pelo coração sombrio da “Americana”, mas também é extremamente sincera, um livro sobre um homem tentando navegar pela toxicidade da masculinidade e da religião com as quais foi sobrecarregado. É irreverente e comovente, e isso antes mesmo de falarmos sobre sua postura em relação à religião. É um livro que faz o “edgy” (ousado, provocador) perfeitamente, superando seus descendentes modernos. É uma experiência!
Conclusão: O Legado Duradouro da DC Noventista
É inegável que, mesmo em uma década vista por muitos como confusa para os quadrinhos, a DC ousou, inovou e nos presenteou com obras que não apenas resistiram ao teste do tempo, mas floresceram. Essas histórias são provas vivas de que o bom storytelling, a profundidade dos personagens e a coragem de explorar novos caminhos são ingredientes para a imortalidade. Se você ainda não mergulhou nessas joias, a hora é agora! Elas não são apenas nostalgia; são lições e entretenimento que continuam relevantes e impactantes, nos lembrando que a verdadeira magia dos quadrinhos está na sua capacidade de evoluir e dialogar com cada nova geração.
—Conteúdo original: