Preparem seus sapatinhos de rubi, porque a adaptação cinematográfica de “Wicked” chegou para nos levar de volta à Terra de Oz! Mas, como fã de carteirinha tanto do musical quanto de “O Mágico de Oz”, preciso confessar: “Wicked: For Good” me deixou com mais perguntas do que respostas. A grande questão? A inconsistência gritante sobre como Dorothy volta para casa. Acompanha comigo essa saga!
O Dilema dos Sapatinhos de Rubi e a Falta de Magia de Glinda
No clássico “O Mágico de Oz” (1939), Glinda, a Bruxa Boa do Sul, simplesmente diz para Dorothy juntar os calcanhares três vezes e repetir “Não há lugar como o lar”. Fácil, né? Mas “Wicked” joga uma bomba nessa lógica ao estabelecer que Glinda NÃO TEM PODERES MÁGICOS! Oi? Como assim?
Se a Glinda de “Wicked” não tem habilidades mágicas, como ela poderia encantar os sapatinhos para mandar Dorothy de volta para o Kansas? Isso me faz questionar tudo o que eu achava que sabia sobre Oz!
Como Glinda Sabia do Truque dos Três Cliques?
A genialidade de “Wicked” sempre foi subverter as expectativas e reimaginar as bruxas que amamos desde 1939. Mas essa prequela revisionista criou uma falha que “For Good” não conseguiu resolver. A jornada de Glinda, tanto no filme quanto no musical, é definida justamente pela sua INCAPACIDADE de usar magia. No final de “For Good”, ela escolhe se tornar Glinda, a Boa, para honrar Elphaba, mas isso envolve mais política e relações públicas do que feitiços.
A cena final reforça isso: Glinda está pé no chão, focada em combater a corrupção deixada pelo Mágico e Madame Morrible. Mas a Glinda que aparece em “O Mágico de Oz” é uma bruxa poderosa, que chega numa bolha e entende as leis mágicas dos Sapatinhos de Rubi. São duas personagens INCOMPATÍVEIS!
A Falta de Conhecimento e Magia de Glinda
Para reconciliar a Glinda sem poderes de “Wicked” com o papel crucial que ela tem em “O Mágico de Oz”, talvez a solução seja aceitar uma teoria não tão explícita: os Sapatinhos de Rubi concedem ao usuário o seu maior desejo. Como o único desejo de Dorothy é voltar para casa, os sapatos se autoativariam. Ok, isso tira o peso de Glinda ter que lançar um feitiço. Mas… como ela sabe do mecanismo dos três cliques?
“For Good” sugere que Glinda deu os sapatos de Nessa para Dorothy sem saber o que mais fazer para inspirar a garota. Se Glinda não é uma feiticeira poderosa, como ela sabe o código dos três cliques? Seria uma informação passada adiante de forma ilógica ou uma coincidência conveniente?
Os sapatos pertenciam à Bruxa Má do Leste (Nessa), que morreu esmagada por uma casa. A única vez que os sapatos exibem magia é quando Elphaba os encanta para que Nessa possa flutuar. É impossível que Glinda tenha aprendido algum feitiço entre o momento em que Elphaba encantou os sapatos e Dorothy foi enviada para casa. E mesmo que ela soubesse as palavras, ela não poderia lançá-lo devido à sua falta de poderes mágicos.
Se o mecanismo dos sapatos depende do desejo interno de cruzar dimensões, esse segredo seria universalmente conhecido ou mantido apenas pela família Thropp – os donos dos sapatos. Se fosse universalmente conhecido, a jornada de Dorothy ao Mágico seria inútil, já que o Espantalho ou o Homem de Lata a teriam informado, especialmente considerando que Fiyero (o Espantalho) e o Homem de Lata (Boq) estavam ligados às irmãs Thropp – Fiyero com Elphaba e Boq com Nessa.
Já que o conhecimento não é comum, Glinda deve ter descoberto por puro palpite. No entanto, isso contradiz a premissa de que Glinda não tem habilidades mágicas estabelecidas em “Wicked”. O público fica sem explicação de como Glinda realmente mandou Dorothy para casa. Sua instrução para Dorothy no filme clássico agora é enquadrada, retroativamente, por “Wicked: For Good”, como um conhecimento não merecido transmitido de forma ilógica ou uma coincidência conveniente que permite que o enredo de “O Mágico de Oz” avance.
A carga dramática do arco de Glinda, lindamente executada em “For Good”, é prejudicada pela necessidade logística de seu papel em “O Mágico de Oz”. Ao tornar a despedida de Glinda para Elphaba tão definitiva, o filme tira a única outra pessoa que poderia ter ajudado Glinda a encantar os sapatos para Dorothy, considerando que Glinda é magicamente incapaz. A solução depende inteiramente dos sapatos serem artefatos mágicos, mas o filme não fornece contexto ou justificativa para essa teoria.
E aí, o que você achou? Será que “Wicked: For Good” conseguiu honrar o legado de “O Mágico de Oz” ou deixou um buraco mágico impossível de tapar?