Preparem seus sintetizadores e ombreiras, porque vamos mergulhar em um dos maiores paradoxos da música pop: “We Built This City”, do Starship. Lançada em 1985, essa música grudenta e cheia de sintetizadores dominou as paradas, mas também conquistou o título de “pior música de todos os tempos” em diversas listas. Como isso aconteceu? E por que, mesmo com tanto ódio, ela continua tão popular? Vem comigo nessa viagem nostálgica e um tanto quanto bizarra!
A Ascensão e Queda de um Hino Synth-Rock
“We Built This City” surgiu como um foguete, impulsionada por uma melodia chiclete e uma produção que gritava “anos 80!”. A música alcançou o topo da Billboard Hot 100 e até foi indicada ao Grammy. Era o auge da carreira do Starship, uma banda que já tinha seus hits, mas que com essa música alcançou um novo patamar de sucesso. Mas, como um meteoro, a fama da música também trouxe uma chuva de críticas.
A Letra e a Hipocrisia: Uma Crítica que Virou Piada
A letra de “We Built This City” pretendia ser uma crítica à comercialização da cena musical e ao fechamento de casas de shows em Los Angeles. A ideia era homenagear o rock and roll como a alma da cidade, com o refrão “We built this city on rock and roll” soando como um grito de resistência. Mas a ironia é que a própria música se tornou um produto comercial, com uma sonoridade pasteurizada e feita sob medida para o rádio.
Para piorar a situação, a música foi escrita por Martin Page e Bernie Taupin, este último conhecido por suas parcerias com Elton John. Taupin revelou que a versão original era bem mais sombria e abordava a morte da cena clubber em Los Angeles, mas que a música foi totalmente alterada durante a produção. Dá pra imaginar o choque de quem esperava algo mais “underground”?
De Hit a Meme: O Legado Inesperado
A reputação de “pior música de todos os tempos” pegou de vez em 2004, quando a revista Blender a colocou no topo de sua lista das 50 piores músicas de todos os tempos. Outras publicações seguiram o exemplo, e a música virou piada na cultura pop, com memes e paródias pipocando por todos os lados.
Mas, como dizem, não existe publicidade ruim. “We Built This City” se tornou um daqueles casos raros de música tão ruim que se torna icônica. É como “Tubarão 3”: você sabe que é terrível, mas não consegue desviar o olhar.
O Lado B: Por Que Ainda Ouvimos “We Built This City”?
Apesar de todas as críticas, “We Built This City” continua a ser ouvida e reproduzida. O videoclipe oficial já ultrapassou 130 milhões de visualizações no YouTube, e a música tem mais de 600 milhões de streams no Spotify. Como explicar esse fenômeno?
Talvez seja a nostalgia. Para quem viveu os anos 80, a música evoca memórias de uma época exagerada e divertida. Ou talvez seja simplesmente o poder de um refrão grudento que se instala no cérebro e se recusa a sair. Seja qual for o motivo, “We Built This City” prova que sucesso comercial nem sempre significa qualidade atemporal, mas que uma música pode ter um legado duradouro mesmo que seja por ser “a pior de todas”.
“We Built This City” e a Cultura Pop: Uma Reflexão Final
“We Built This City” é um exemplo fascinante de como uma música pode ser odiada e amada ao mesmo tempo. Ela nos faz questionar nossos critérios de qualidade, a influência da nostalgia e o poder de um bom meme. E, no fim das contas, ela nos lembra que a música pop é um território vasto e cheio de surpresas, onde nem tudo precisa ser levado tão a sério. Afinal, quem nunca cantou “We built this city on rock and roll” no karaokê que atire a primeira pedra!