Prepare-se para noites de insônia! O terror, um gênero que nunca nos abandona, continua a entregar obras incríveis. De “Sinners” a “Weapons”, 2024 já provou que o medo está mais vivo do que nunca. Mas que tal revisitarmos alguns clássicos modernos que, por algum motivo, não receberam a atenção que mereciam? Embarque comigo nesta lista de 10 filmes de terror essenciais dos últimos 25 anos que todo fã do gênero precisa conferir!
1. “Pontypool” (2008): Quando as Palavras se Tornam o Vírus
“Não é o fim do mundo, é apenas o fim do dia.” Confesso que “Pontypool” me pegou totalmente de surpresa! Imagine um filme de zumbi onde a infecção se espalha através da linguagem. Bizarro, né? A trama se passa quase que inteiramente dentro de uma estação de rádio, onde um locutor de rádio (Stephen McHattie) e sua equipe descobrem que um vírus linguístico está se espalhando através da própria língua inglesa. As palavras são a infecção. O diretor Bruce McDonald transforma o talk radio em um campo de batalha pelo significado e pela sobrevivência, criando uma descida claustrofóbica à loucura.
O design de som é simplesmente genial, causando mais impacto do que qualquer monstro. “Pontypool” transforma gritos, ondas de rádio e silêncios sinistros em armas que penetram na mente do espectador. É um terror psicológico que dispensa o gore, focando na linguagem como forma de contágio e na comunicação como colapso. Se você curte uma pegada mais “A Bruxa de Blair” (1999), mas com uma temática super original, “Pontypool” é a pedida certa!
2. “The Lodge” (2019): Um Pesadelo Congelante de Fé e Sanidade
“Arrepende-te. O Senhor está chegando.” Prepare o cobertor e o chocolate quente, porque “The Lodge” vai te dar calafrios! O filme é um pesadelo gelado sobre luto, culpa e fé desmoronando em tempo real. Uma mulher (Riley Keough) presa com os filhos de seu noivo em uma cabana isolada na neve começa a questionar o que é real, se está sendo assombrada, punida ou manipulada. A atuação de Keough é simplesmente devastadora, transmitindo fragilidade e ferocidade em cada olhar.
A direção cria uma atmosfera de terror psicológico com creaking floorboards, televisões cheias de estática e neve que engole todos os sons. “The Lodge” me lembrou um pouco “O Iluminado” (1980) e “Hereditário” (2018), mas com sua própria frieza e sutileza. Trauma é retratado como uma espécie de purgatório, onde crença, culpa e loucura se misturam até se tornarem indistinguíveis.
3. “Creep” (2014): O Horror da Intimidade Forçada
“Me desculpe. Eu só queria te assustar.” Confesso que, a princípio, não dei muita bola para “Creep” por ser mais um filme de found footage. Mas quebrei a cara! Patrick Brice e Mark Duplass reinventaram o subgênero com esta obra-prima do desconforto psicológico e humor negro. Duplass interpreta Josef, um homem excêntrico que contrata um cinegrafista para gravar suas mensagens finais, mas revela uma agenda muito mais sinistra.
O que se segue é uma revelação lenta de narcisismo, solidão e perigo performático. A estética lo-fi funciona perfeitamente a favor do filme, criando uma sensação de intimidade perturbadora. “Creep” extrai o medo do desconforto, do silêncio e da falsa intimidade, transformando cada sorriso em uma armadilha. É sobre o horror de não saber quem está no controle, de perceber que a pessoa sentada à sua frente pode estar preparando sua desgraça.
4. “The Autopsy of Jane Doe” (2016): Segredos Ocultos em um Corpo Misterioso
“Todo corpo tem um segredo.” “The Autopsy of Jane Doe” começa como um procedural policial e termina como uma sessão espírita. Dois legistas, pai e filho (interpretados por Brian Cox e Emile Hirsch), recebem o corpo de uma mulher não identificada (Olwen Kelly) encontrada em uma cena de crime brutal. Ao dissecá-la, anomalias impossíveis emergem: pulmões não queimados, tecido cicatricial sem feridas, símbolos estranhos sob sua pele.
O que mais me impressionou foi a forma como o filme transforma a sala de autópsia em uma câmara de terror, iluminada por lâmpadas bruxuleantes e sussurros de medo. Se você sempre quis ver Logan Roy (Brian Cox em Succession) lutando contra o sobrenatural, essa é a sua chance!
5. “Session 9” (2001): A Assombração Industrial da Mente
“Eu vivo nos fracos e nos feridos.” “Session 9” é o terror industrial em sua forma mais sombria. A história segue uma equipe de limpeza (liderada por Peter Mullan e David Caruso) removendo amianto em um manicômio abandonado. Lá, eles sucumbem à paranoia, exaustão e, possivelmente, algo muito mais sinistro. O verdadeiro terror do filme não são os fantasmas, mas o próprio edifício, um hospital psiquiátrico abandonado cujas paredes ecoam traumas.
O filme se passa quase todo à luz do dia, uma escolha incomum que funciona incrivelmente bem. “Session 9” me lembrou um pouco “O Chamado” (2002) e “O Grito” (2004), mas com uma atmosfera ainda mais perturbadora. Ele nos mostra como os lugares podem lembrar a dor muito depois que as pessoas a esquecem.
6. “The Night House” (2020): Quando o Luto Rearranja a Realidade
“Não há nada depois que você morre. Apenas nada.” Em “The Night House”, o luto é uma arquitetura que se reorganiza quando você não está olhando. Rebecca Hall interpreta uma viúva que descobre a vida secreta de seu falecido marido, encontrando uma casa espelhada do outro lado do lago, que parece inverter o espaço, o som e a morte. A partir dessa premissa simples, o diretor David Bruckner cria uma fusão assustadora de história de fantasmas e terror existencial, onde o sobrenatural se torna uma metáfora para a desorientação do luto.
A gramática visual do filme, incluindo espaços negativos que formam figuras e reflexos que mentem, captura a perda como uma assombração que você não pode exorcizar. Não se trata do que está lá fora, mas do que resta dentro de você. A atuação de Hall é simplesmente fenomenal, transmitindo fragilidade, raiva e uma busca desesperada por significado.