Finalmente alguém tocou na ferida! Em um universo Marvel cada vez mais palatável e com heróis (e anti-heróis) que parecem ter saído de uma linha de produção, Namor continua sendo aquela figura complexa e implacável que nos faz questionar: até onde iríamos para proteger o que é nosso? Esqueçam Deadpool e Wolverine, o verdadeiro rei dos anti-heróis da Marvel sempre esteve debaixo d’água.
A História de Namor Grita Anti-Herói
Desde sua criação na Era de Ouro, Namor sempre foi um personagem à frente do seu tempo. Enquanto outros heróis lutavam contra o crime nas ruas, ele defendia seu reino subaquático com uma ferocidade que beirava a vilania. Essa dualidade moral, essa disposição de fazer o que for preciso pelo bem de Atlântida, o coloca em um patamar diferente de outros anti-heróis da Marvel.
É fácil esquecer, mas Namor é um monarca absoluto. Suas alianças são baseadas em interesses, não em amizade. E, convenhamos, quem nunca se sentiu tentado a dar uns bons cascudos nos Vingadores? Ele se alia ao Doutor Destino porque ambos entendem que seus povos vêm em primeiro lugar. Essa lealdade pragmática, essa ausência de sentimentalismo barato, é o que o torna um anti-herói tão fascinante.
Um Anti-Herói Que Não Faz Amigos (Só Inimigos)
Uma das características mais importantes de um anti-herói é sua relação conflituosa com os heróis tradicionais. E nesse quesito, Namor tira nota 10! Ele pode até respeitar o Capitão América, mas não hesitará em enfrentá-lo se seus objetivos divergirem. Diferente de Wolverine e Deadpool, que no fundo só querem um abraço, Namor não está nem aí para a sua aprovação.
Essa imprevisibilidade é o que o torna tão interessante. Ele pode salvar o dia, trair seus aliados ou simplesmente sumir no oceano sem dar explicações. Namor não se encaixa em nenhum molde, e essa é a essência de um verdadeiro anti-herói.
Namor: O Rei Que Nunca Se Vendeu
O sucesso comercial muitas vezes corrompe a essência dos personagens. Anti-heróis que antes eram sombrios e complexos se tornam versões diluídas de si mesmos, preocupados em agradar o público e vender mais revistas. Mas Namor resiste a essa tendência. Ele pode ter mudado ao longo dos anos, mas sua arrogância, sua teimosia e sua disposição de cruzar a linha sempre permaneceram intactas.
Sempre que Namor aparece em uma história, você sabe que vai ter sarcasmo, porradaria e uma solução nada convencional para o problema. Ele não tem medo de matar, de destruir cidades ou de inundar o mundo se isso significar a salvação de Atlântida. Talvez seja por isso que suas séries solo nunca decolam: é difícil simpatizar com um personagem tão implacável. Mas, ao mesmo tempo, é impossível não admirá-lo.
Namor é o rei dos anti-heróis, e já passou da hora de reconhecermos sua importância. Ele não é um herói bonzinho, mas é um personagem complexo, fascinante e, acima de tudo, fiel a si mesmo. Em um mundo de heróis pasteurizados, Namor é um sopro de água salgada.