Prepare-se para ter sua visão de mundo gamer abalada! Estamos tão acostumados a idolatrar os heróis dos videogames, aqueles que lutam bravamente contra o mal e restauram a ordem, que raramente paramos para analisar o rastro de destruição que eles deixam para trás. Será que esses “salvadores” realmente tornam o mundo um lugar melhor, ou seus atos de heroísmo mascaram um egoísmo e uma sede por poder que causam ainda mais sofrimento? Prepare-se para questionar tudo o que você achava que sabia sobre o bem e o mal nos games!
Joel Miller (The Last of Us): O Amor Paternal que Condenou a Humanidade
Ah, Joel… o anti-herói mais amado e odiado dos últimos tempos! Sua jornada em “The Last of Us” é um turbilhão de emoções, moldada pela perda devastadora de sua filha no início do apocalipse. E quem não se apaixonou pela relação linda e complexa que ele constrói com Ellie? É fácil se apegar a ele e entender seu desejo de protegê-la a qualquer custo.
Mas a grande questão é: até onde vai esse “a qualquer custo”? No clímax do jogo, Joel toma uma decisão que o coloca em uma zona cinzenta moral: ao impedir que Ellie seja sacrificada para a criação de uma possível cura, ele rouba da humanidade sua única chance de sobrevivência. Sim, foi por amor, mas será que esse amor justifica condenar o mundo a um futuro sombrio?
Essa atitude egoísta tem um peso enorme, e as consequências são brutais. A morte de Joel nas mãos de Abby é quase uma consequência direta de suas escolhas. É como se o universo estivesse cobrando a fatura por sua decisão de priorizar o individual em vez do coletivo. Se a história fosse contada pela perspectiva de outro personagem, Joel seria o grande vilão de “The Last of Us”.
Commander Shepard (Mass Effect): O Preço Amargo da Salvação Galáctica
À primeira vista, Commander Shepard de “Mass Effect” personifica o sonho de ser o salvador da galáxia. Unindo civilizações, combatendo máquinas antigas que ameaçam a vida, Shepard é o herói que todos esperam. Mas será que suas vitórias não são, na verdade, desastres disfarçados?
Dependendo das suas escolhas, Shepard pode levar à extinção de espécies inteiras, como os Rachni. E o que dizer da questão dos Krogan, uma raça orgulhosa devastada por um genocídio? Curar ou não a genophage? Cada decisão tem consequências devastadoras que podem desestabilizar a galáxia.
E a solução final da trilogia? Destruir os Reapers pode levar à extinção de vida sintética, incluindo personagens amados como os Geth, ou escravizar todos os seres avançados em uma nova ordem. As tentativas de Shepard de salvar a galáxia sempre envolvem sacrifícios tão massivos que a crueldade dos vilões parece quase pequena em comparação. Será que Mass Effect 5 irá abordar essas questões?
Wander (Shadow of the Colossus): A Busca Cega pelo Amor que Desperta o Mal
Em “Shadow of the Colossus”, acompanhamos Wander, um jovem disposto a tudo para trazer sua amada de volta à vida. No início, ele parece um herói determinado, empunhando sua espada contra os colossos que guardam a terra proibida. Mas a verdade por trás dessa jornada é bem mais sombria.
Os colossos não são monstros cruéis, mas sim seres pacíficos, muitos deles passivos até serem atacados por Wander. Ao destruí-los, Wander não está salvando o mundo, mas sim o destruindo. Cada morte libera fragmentos de Dormin, uma entidade maligna selada que manipula o desespero de Wander para se libertar.
No final, Wander é consumido e transformado, tornando-se um receptáculo para o renascimento de Dormin. Sua busca imprudente não só acaba com sua vida, mas também liberta um mal antigo no mundo. O verdadeiro vilão da história não é Dormin, mas a ingenuidade trágica de Wander, cujo amor cego causa devastação.
Kratos (God of War): A Fúria Divina que Destruiu um Mundo
Kratos, o fantasma de Esparta, é um dos protagonistas mais controversos do mundo dos games. Sua jornada de vingança contra os deuses gregos é brutal e sangrenta, mas será que ele realmente estava certo em sua fúria?
Kratos não se contenta em derrotar os deuses, ele os massacra de formas horríveis, desestabilizando o mundo grego. A morte de Poseidon causa inundações, a de Hades liberta as almas dos mortos e a de Hélios mergulha o mundo na escuridão. No final, a civilização grega é destruída não pela tirania divina, mas pela fúria implacável de Kratos.
Na saga nórdica, Kratos se mostra mais reflexivo e arrependido, buscando redenção por seus pecados. Mas seu passado sangrento o marca como um “herói” que causou mais destruição que qualquer vilão. Sua história questiona a própria ideia de justiça, mostrando como a vingança disfarçada de heroísmo pode levar à destruição.
E você, o que acha? Será que esses protagonistas são realmente heróis, ou apenas indivíduos egoístas que causam mais mal do que bem? Deixe sua opinião nos comentários e vamos debater!