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Doctor Who Sem Disney: BBC Precisa Reinventar a Roda ou Cair no Buraco Negro?

  • novembro 6, 2025
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A parceria entre a BBC e a Disney+ chegou ao fim, e agora? Para os fãs de Doctor Who, a notícia soa como o prenúncio de uma nova

Doctor Who Sem Disney: BBC Precisa Reinventar a Roda ou Cair no Buraco Negro?

A parceria entre a BBC e a Disney+ chegou ao fim, e agora? Para os fãs de Doctor Who, a notícia soa como o prenúncio de uma nova regeneração. Mas será que a TARDIS vai decolar rumo a novas aventuras ou vai ficar presa em um loop temporal de erros passados? Russell T. Davies está confirmado para um especial de Natal em 2026, mas o futuro da série após isso é incerto. E, sinceramente, depois de uma temporada que mal apareceu nos rankings de streaming, a BBC precisa urgentemente repensar a fórmula.

Orçamento Não é Tudo: O Passado Prova

Doctor Who sempre foi uma série que fez milagres com um orçamento limitado. Nos últimos anos, a pressão aumentou com o boom dos streamings e seus orçamentos estratosféricos. A parceria com a Disney, que injetou cerca de US$ 8,5 milhões por episódio, parecia a solução. Mas, no fim das contas, o custo por espectador foi alto demais, e a Disney pulou fora.

Mas será que dinheiro é tudo mesmo? Olhando para outras produções sci-fi, vemos que nem sempre. Para cada “Andor” (que, convenhamos, é um primor de roteiro e direção), temos “The Acolyte”, que esbanjou grana, mas decepcionou muita gente. Acredito que a BBC pode, sim, dar a Doctor Who um orçamento mais razoável e, com uma gestão inteligente, fazer a série brilhar novamente. Afinal, a criatividade sempre foi a marca registrada de Doctor Who!

Companheiros: O Coração da TARDIS

A fórmula de sucesso do revival de 2005, com Russell T. Davies no comando, era clara: os companheiros eram tão importantes quanto o Doutor, se não mais. Eles eram o nosso ponto de vista, a lente através da qual víamos o universo de Doctor Who. A relação entre o Doutor e seus companheiros era o núcleo emocional da série.

E é aí que as últimas temporadas pecaram. A era Chibnall focou demais no Décimo Terceiro Doutor, deixando de lado o desenvolvimento dos companheiros. Davies tentou dar mais atenção a Ruby Sunday, mas a personagem saiu após a 14ª temporada, e Belinda Chandra nunca teve um desenvolvimento consistente. Resultado? Perdemos a conexão emocional que tínhamos com Rose Tyler, Amy Pond e Donna Noble. Se Doctor Who quer se reinventar, precisa resgatar essa importância dos companheiros.

Conflito: A Faísca Que Acende a História

Não basta apenas ter companheiros bem desenvolvidos; é preciso haver conflito entre eles e o Doutor. Aquele momento em “The Robot Revolution” em que Belinda confronta o Décimo Quinto Doutor por escanear seu DNA sem permissão foi promissor, mas a ideia se perdeu no episódio seguinte.

O conflito sempre foi um tempero essencial em Doctor Who. Os primeiros companheiros foram praticamente sequestrados por um Doutor que queria se esconder, Ace era manipulada por um Doutor maquiavélico, e o Décimo Doutor maltratava Martha por não superar Rose. Essa tensão, essa dinâmica complexa, é o que torna a série tão interessante. O Doutor é um alienígena com uma perspectiva cósmica incompreensível, e suas decisões nem sempre agradam seus companheiros. Esse conflito precisa ser explorado, com o companheiro aprendendo a confiar no Doutor aos poucos – ou talvez nunca confiando totalmente.

Nostalgia: Uma Armadilha Perigosa

Em 2005, Davies acertou ao diminuir a importância da continuidade, criando a Guerra do Tempo como um “reset” cósmico. Gallifrey foi destruída, e os vilões clássicos foram trazidos de volta aos poucos. Mas, nos últimos anos, Chibnall e Davies têm apostado cada vez mais na nostalgia, mirando nos fãs mais antigos.

Chibnall começou bem, sem usar monstros clássicos na 11ª temporada. Mas sua controversa “Criança Atemporal” logo se tornou o foco de sua gestão, priorizando a lore em vez dos personagens. Davies, por sua vez, trouxe de volta vilões clássicos em suas duas últimas temporadas. Nostalgia é bom, mas em doses homeopáticas. Doctor Who precisa se renovar, se reinventar. Um foco excessivo em canon, continuidade e lore impede o crescimento da série e afasta novos espectadores.

Monstros: O Terror Que Amamos

Todo herói precisa de um bom vilão. Os monstros de Doctor Who sempre foram icônicos: Daleks, Cybermen, o Mestre. O revival nos apresentou os Weeping Angels, os Ood, os Vashta Nerada. Mas as últimas temporadas não conseguiram criar vilões memoráveis ou trouxeram de volta monstros esquecidos.

Os Weeping Angels e os Vashta Nerada mostram como criar um bom monstro de Doctor Who: pegar algo do cotidiano e subvertê-lo. Os Weeping Angels são estátuas assustadoras, e os Vashta Nerada são sombras vivas que exploram nosso medo do escuro. Qual foi o grande vilão da era da Décima Terceira Doutora? Provavelmente o Mestre de Sacha Dhawan, um vilão de 1979. E quem será o vilão marcante da era Ncuti Gatwa? Talvez Maestro de Jinkx Monsoon, mas seria difícil trazê-lo de volta sem soar repetitivo.

Está na hora de Doctor Who voltar a assustar as crianças atrás do sofá, com uma nova geração de vilões que provem o potencial infinito de uma série que transcende o tempo e o espaço.

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