A reputação do Demolidor como um dos heróis mais consistentes da Marvel sempre foi um ponto de orgulho para os fãs. Desde sua criação, suas histórias em quadrinhos mantiveram um nível de qualidade notável. No entanto, como todo bom herói, o Demolidor também tem suas fases menos inspiradas. E, infelizmente, a mais recente saga de 25 edições parece ter interrompido essa sequência de sucesso, deixando muitos fãs com um gosto amargo na boca. Será que o Demolidor perdeu o rumo? Ou será que essa fase menos inspirada pode abrir caminho para algo ainda maior? Prepare-se, porque vamos mergulhar de cabeça nos problemas e nas (poucas) qualidades dessa fase controversa.
O Peso do Status Quo
Nos quadrinhos de super-heróis, o status quo é como a espinha dorsal de uma narrativa contínua. É a base que permite criar novas histórias sem descaracterizar os personagens. Alterações radicais são raras e arriscadas, como vimos em algumas fases do Homem-Aranha. A fase anterior do Demolidor, escrita por Chip Zdarsky, ousou mudar o status quo, com Fisk se aposentando do crime e Matt se tornando um padre sem memórias.
Era óbvio que Matt voltaria a ser o Demolidor, mas a nova saga pareceu obcecada em restaurar tudo ao “normal” de forma forçada. Matt voltou a ser o Demolidor, Fisk voltou ao crime, Matt se afastou de seus entes queridos e deixou seu emprego. Nada disso seria ruim se a execução não fosse tão superficial. Parecia que a história estava apenas marcando os itens de uma lista de verificação, sem aprofundamento.
Um exemplo disso é a reconciliação apressada entre Matt e Elektra na edição #25. Elektra tinha motivos para estar irritada, mas ainda se importava com Matt. Em vez de uma cena emocionante, a reconciliação se resume a uma piada sobre a libido de Matt. Essa troca não parece autêntica aos personagens, especialmente Elektra. Tudo pareceu apressado para cumprir a agenda da trama.
Novas Ideias, Pouca Profundidade
O problema mais grave dessa saga é a superficialidade com que novas ideias são exploradas. Veja a cena em que o Rei do Crime declara sua intenção de se tornar um deus após cometer vários assassinatos. A ambição de Fisk poderia render uma história incrível, mas a execução deixou a desejar.
A reação de Matt à ambição divina de seu inimigo foi decepcionante. Matt é um católico fervoroso e lutou contra o Rei do Crime em uma igreja após ele quase matar um padre. No entanto, sua reação pareceu distante e apática. Essa desconexão emocional permeou toda a saga.
A saga apresentou ideias interessantes, como a luta de Matt contra os sete pecados capitais e sua crise de fé. No entanto, essas ideias nunca foram exploradas em profundidade. O catolicismo de Matt é evocado em suas lutas contra os pecados, mas apenas de forma superficial. Somos informados de como cada pecado se alinha com seu personagem, mas não vemos essas conexões em suas ações. Somos informados de que Matt está lutando para acreditar, mas não exploramos o significado dessa luta.
O Potencial Inexplorado
Essa saga se destaca na história do Demolidor por não atingir seu potencial máximo. As ideias apresentadas tinham grande potencial, mas não foram desenvolvidas adequadamente. A declaração de Fisk sobre se tornar um deus poderia ter rendido uma exploração profunda de seus personagens e motivações, mas ficou apenas no básico.
Apesar de suas falhas, essa saga não deve ser descartada. Ela apresentou ideias valiosas e mostrou que, mesmo em suas fases menos inspiradas, o Demolidor ainda tem muito a oferecer. Se uma das piores fases recentes do Demolidor é ruim apenas porque não atinge seu potencial, mas ainda tem ótimas ideias, isso é algo a ser elogiado.
O Futuro do Demolidor
Pessoalmente, estou feliz que essa saga tenha terminado, embora um pouco apreensiva sobre o futuro do Demolidor. A busca de Fisk pela divindade ainda não me convenceu totalmente. Mas e você, o que achou? Deixe seu comentário e participe da conversa!
Como fã do Demolidor desde a época das histórias em formatinho da Abril, confesso que essa fase me deixou um pouco decepcionada. Mas, como dizem, nem tudo são flores. Espero que essa fase menos inspirada sirva de aprendizado para os próximos roteiristas e que o Demolidor volte a brilhar como sempre brilhou. Afinal, ele é um dos maiores heróis da Marvel e merece o nosso apoio.