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De Claremont a Slott: Por Que as Longas Jornadas nos Quadrinhos Criam Lendas?

  • outubro 12, 2025
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Se você é fã de quadrinhos como eu, com certeza já se pegou pensando sobre o que torna uma história realmente inesquecível. Para mim, a resposta quase sempre

De Claremont a Slott: Por Que as Longas Jornadas nos Quadrinhos Criam Lendas?

Se você é fã de quadrinhos como eu, com certeza já se pegou pensando sobre o que torna uma história realmente inesquecível. Para mim, a resposta quase sempre envolve a longevidade e a visão consistente de um único autor. Marvel e DC Comics construíram seus impérios em personagens icônicos, mas por trás de cada um deles, existe um criador (ou equipe) que dedicou anos a moldar sua essência. Será que a era das longas sagas nos quadrinhos está voltando?

A Era de Ouro das Maratonas Criativas

Antigamente, quando uma HQ fazia sucesso, era comum que os criadores permanecessem no título por anos a fio. Jack Kirby e Stan Lee comandaram “Fantastic Four” por 108 edições! Chris Claremont ficou à frente de “X-Men” de 1975 a 1991, um feito impressionante. Essa abordagem permitia que os autores realmente se aprofundassem nos personagens e construíssem narrativas complexas ao longo do tempo. Mas os tempos mudaram, e hoje em dia, a maioria das fases de sucesso dura de dois a quatro anos. Será que estamos perdendo algo com essa mudança?

O Legado Imortal de Chris Claremont nos X-Men

Para mim, o exemplo mais claro dos benefícios de uma longa jornada criativa é a fase de Chris Claremont em “Uncanny X-Men”. Claremont não apenas criou personagens amados como Gambit e Rogue, mas também redefiniu Wolverine, Tempestade e Jean Grey. Histórias clássicas como “A Saga da Fênix Negra” e “Dias de um Futuro Esquecido” nasceram sob sua batuta. Ele estabeleceu as vozes e motivações dos personagens de uma forma que ressoa até hoje. Mesmo que você não gostasse de uma trama específica, você sabia que os personagens permaneceriam fiéis a si mesmos. A fase de Claremont durou 17 anos, e seu impacto é inegável. É como J.R.R. Tolkien construindo a Terra Média: leva tempo para criar algo tão profundo e duradouro.

Wally West: Uma Jornada de Amadurecimento nas Páginas de Flash

Outro exemplo é Wally West, que começou como Kid Flash e eventualmente assumiu o manto de Flash. Mark Waid pegou um título que não estava vendendo bem e transformou Wally em um personagem complexo e cativante. Ele explorou seus relacionamentos, deu-lhe um amor verdadeiro em Linda Park e o fez amadurecer ao longo do tempo. Essa consistência é algo que seria difícil de alcançar com vários escritores diferentes. As longas jornadas permitem que os personagens se desenvolvam organicamente, como uma planta que cresce sob os cuidados de um jardineiro dedicado.

Menos Reboots, Mais Evolução: O Que Perdemos?

As longas jornadas também significavam que as mudanças nos personagens duravam mais. Eles realmente cresciam e evoluíam, em vez de serem reiniciados a cada nova equipe criativa. Os fãs se acostumaram com esse tipo de narrativa, e autores como Scott Lobdell e Geoff Johns continuaram a construir sobre as bases estabelecidas por seus antecessores. Hoje em dia, ainda temos algumas fases longas, como as de Dan Slott em “The Amazing Spider-Man” e Al Ewing em “The Immortal Hulk”, mas elas são a exceção, não a regra.

O Caso de “The Immortal Hulk”: Uma Voz Singular em Meio ao Caos

Falando em Al Ewing, “The Immortal Hulk” é um exemplo perfeito de como uma visão consistente pode criar algo verdadeiramente especial. Ewing pegou um personagem clássico e o reinventou de uma forma sombria e perturbadora, explorando temas de trauma, identidade e horror cósmico. A série é um testemunho do poder de dar a um autor a liberdade de explorar um personagem em profundidade ao longo de um período prolongado. Mesmo que 50 edições não sejam os 17 anos de Claremont, ainda é um feito notável nos padrões atuais.

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