Prepare a pipoca e o cobertor (porque você vai precisar!), porque hoje vamos mergulhar em um universo de gritos, sangue e reviravoltas que, acredite, vai muito além do susto fácil. Os filmes slasher, muitas vezes vistos como “terror barato”, escondem verdadeiras obras de arte repletas de estilo, psicologia e críticas sociais afiadas. Se você, assim como eu, é fã do gênero, prepare-se para defender essa paixão com unhas e dentes! Bora conferir alguns filmes que merecem ser reconhecidos como patrimônio cultural?
‘Pânico’ (1996): A Metalinguagem que Salvou o Slasher
“Você gosta de filmes de terror?” Essa frase icônica marcou o renascimento do slasher nos anos 90. ‘Pânico’, dirigido pelo mestre Wes Craven (o mesmo de ‘A Hora do Pesadelo’), chegou como um sopro de ar fresco em um gênero saturado de sequências sem graça. O filme subverte os clichês, com personagens que conhecem as regras dos filmes de terror e as usam (ou tentam) para sobreviver.
A cena de abertura com Drew Barrymore é simplesmente genial, criando uma tensão absurda que te prende do início ao fim. E o Ghostface? Um vilão assustador justamente por ser “normal”, humano e implacável. ‘Pânico’ é uma homenagem e uma renovação do slasher, mostrando que é possível ser inteligente e aterrorizante ao mesmo tempo.
‘Henry: Retrato de um Serial Killer’ (1986): A Face Crua da Violência
Prepare-se para uma experiência perturbadora. ‘Henry: Retrato de um Serial Killer’ foge do slasher tradicional, optando por um terror psicológico e brutalmente realista. O filme acompanha Henry (interpretado de forma brilhante por Michael Rooker), um psicopata que mata sem motivo aparente.
Ao contrário dos vilões caricatos do gênero, Henry é frio, calculista e assustadoramente comum. As mortes são secas, feias e banais, sem qualquer glamour ou sensacionalismo. A estética “suja” do filme, com baixo orçamento e filmagens sem polimento, contribui para o clima opressor. ‘Henry’ é um soco no estômago, um filme que te faz questionar a natureza da maldade humana.
‘Maniac’ (1980): Mergulho na Depravação Urbana
Se você procura um filme que te deixe desconfortável, ‘Maniac’ é a escolha certa. Dirigido por William Lustig, o filme te joga em um submundo de violência e paranoia, acompanhando o perturbado Frank Zito (Joe Spinell) em suas investidas pelas ruas decadentes de Nova York.
‘Maniac’ choca pela brutalidade de seus efeitos especiais, criados pelo mestre Tom Savini (o mesmo de ‘Despertar dos Mortos’ e ‘Sexta-Feira 13’). A cena do tiro de espingarda é de embrulhar o estômago! Mas o filme vai além do gore, construindo um retrato complexo de um homem atormentado por traumas e loucura. Frank Zito é um produto da violência urbana, um reflexo da decadência que o cerca.
‘Prelúdio para Matar’ (1975): O Giallo que Influenciou o Slasher
Aqui, a gente cruza a fronteira entre o giallo italiano e o slasher americano. ‘Prelúdio para Matar’ (ou ‘Profondo Rosso’, no original) é um filme exuberante e aterrorizante, que combina mistério intrincado com violência gráfica. A história acompanha um pianista (David Hemmings) que testemunha um assassinato e se envolve em uma trama cheia de segredos.
A direção de Dario Argento é um show à parte, com cores vibrantes, movimentos de câmera elaborados e cenários barrocos que transformam cada assassinato em uma obra de arte macabra. A trilha sonora da banda Goblin (dispensa apresentações para os fãs de terror) adiciona uma camada surreal e pulsante, tornando o filme tão perturbador sonora quanto visualmente. ‘Prelúdio para Matar’ influenciou profundamente o slasher, especialmente em suas sequências de morte criativas e na figura do assassino misterioso.
‘A Hora do Pesadelo’ (1984): Quando o Sono se Torna um Terror
Wes Craven não só revitalizou o slasher com ‘Pânico’, mas também ajudou a criar suas bases com ‘A Hora do Pesadelo’. O filme trouxe o surrealismo para o gênero, transformando os sonhos em campos de batalha mortais. Freddy Krueger (Robert Englund), com seu rosto queimado, suéter listrado e luva de lâminas, se tornou um dos vilões mais icônicos do terror.
O filme funciona com a lógica dos pesadelos, o que o eleva acima da maioria dos seus concorrentes. Craven cria cenas verdadeiramente imaginativas, como o famoso gêiser de sangue. Ao mesmo tempo, o filme aborda questões reais, como a adolescência, a negligência parental e a perda da inocência. ‘A Hora do Pesadelo’ é slasher puro e algo mais, uma ópera de terror surrealista que redefiniu as possibilidades do gênero. Um clássico dos anos 80 que envelheceu como vinho!
‘Halloween’ (1978): O Arquétipo do Slasher Perfeito
Ok, talvez ‘Halloween’ não seja tão inovador quanto ‘Psicose’, mas o filme de John Carpenter representa o ideal platônico do slasher. Com sua premissa simples (um assassino mascarado perseguindo babás na noite de Halloween), o filme destilou o gênero em sua forma mais pura. Jamie Lee Curtis, em seu primeiro papel de destaque, se tornou a Final Girl arquetípica, enquanto Michael Myers (Nick Castle), com sua máscara inexpressiva e presença silenciosa, se tornou a encarnação do mal implacável.
A direção de Carpenter é precisa e magistral. As composições em widescreen, o ritmo constante e sua própria trilha sonora sintetizada inesquecível se combinam para criar um terror puro. Ao contrário de muitos de seus imitadores, ‘Halloween’ usa a contenção para aterrorizar. Carpenter extrai muita tensão da sugestão e do silêncio. Nesse sentido, o filme é uma obra-prima minimalista. Mais de quatro décadas depois, ainda é assustador, influente e infinitamente assistível. Se a Criterion Collection existe para preservar os marcos do cinema, ‘Halloween’ merece inclusão.