Quem diria que animes barrados para menores de idade nos cinemas brasileiros não são uma novidade? Recentemente, a polêmica em torno da classificação etária de “Demon Slayer: Para a Vila dos Ferreiros” reacendeu essa discussão, mas a verdade é que essa história já tem alguns capítulos curiosos no nosso país. Prepare-se para uma viagem no tempo e descubra um anime da década de 80 que causou burburinho por aqui!
“Guerra do Futuro 198X”: Um Clássico Esquecido (e Censurado)
Em 1984, durante o período da ditadura militar, um filme de animação da Toei Animation chamado “Future War 198X” (ou “Guerra do Futuro 198X”, como ficou conhecido no Brasil) foi submetido ao Conselho Superior de Censura e, inicialmente, recebeu a classificação de impróprio para menores de 18 anos. Imaginem só a surpresa! A trama, inspirada nas tensões da Guerra Fria, mostrava o sequestro de um cientista americano pelo exército soviético, desencadeando um conflito mundial com proporções espaciais.
Por Trás das Câmeras: Uma Produção Cheia de Estrelas e Controvérsias
Apesar de ter gerado polêmica e até boicotes por parte de alguns animadores, “Guerra do Futuro 198X” contou com a participação de grandes nomes da indústria. Toshio Masuda e Tomoharu Katsumata, que trabalharam em “Patrulha Estelar”, foram os diretores responsáveis pela animação. A trilha sonora ficou a cargo da Orquestra Filarmônica Japonesa, sob a regência de Seiji Yokoyama, que mais tarde compôs as músicas icônicas de “Cavaleiros do Zodíaco”. E para dar um toque de elegância, o renomado estilista francês André Courrèges criou o figurino dos personagens!
Censura, Reviravolta e Exibição Discreta
A decisão inicial de proibir o filme para menores de 18 anos não durou muito tempo. Uma semana depois, o Conselho Superior de Censura revisou a classificação e liberou a exibição para maiores de 14 anos (Correio Braziliense). No entanto, os registros da exibição de “Guerra do Futuro 198X” no Brasil são escassos. Aparentemente, houve uma única exibição no Cine Niterói, em São Paulo, que pertencia à Toei e era voltado para a colônia japonesa. A campanha de divulgação mais consistente ocorreu no Cine Ribalta, em Curitiba, onde o filme ficou em cartaz por duas semanas com classificação livre!
O Que Podemos Aprender Com Essa História?
Casos como o de “Guerra do Futuro 198X” nos mostram como a percepção e a classificação de obras audiovisuais podem mudar ao longo do tempo. O que antes era considerado impróprio para menores, hoje pode ser visto como algo mais leve ou até mesmo educativo. Além disso, essa história nos faz refletir sobre o papel da censura e a importância da liberdade de expressão na cultura pop.
Animes e Censura: Um Debate Constante
A discussão sobre a classificação etária de animes é recorrente e, muitas vezes, acalorada. Afinal, como equilibrar a liberdade criativa dos artistas com a proteção do público mais jovem? Cada obra é única e merece ser analisada individualmente, levando em consideração o contexto cultural e os valores da sociedade em que é exibida. E você, o que pensa sobre isso?