A Nova Hollywood, um período de ousadia e reinvenção cinematográfica que floresceu após o declínio dos grandes estúdios, nos presenteou com obras-primas inesquecíveis. Mas, como todo movimento, alguns filmes acabaram ficando à sombra dos mais populares, esperando para serem redescobertos. Prepare-se para uma viagem por 10 joias escondidas que desafiaram convenções e pavimentaram o caminho para o cinema moderno!
O que define a Nova Hollywood?
É um termo meio vago, confesso. Mas, basicamente, estamos falando de filmes feitos entre o fim dos anos 60 e o início dos 80, que romperam com as fórmulas tradicionais de Hollywood. Sabe aquela coisa de final feliz garantido? Esqueça! A Nova Hollywood abraçou narrativas mais complexas, personagens ambíguos e, claro, muita experimentação visual. Filmes como “Bonnie e Clyde” (1967) são marcos desse período, desafiando o público com sua violência e falta de resolução.
‘Frogs’ (1972): A Vingança Verde da Natureza
Ok, talvez esse filme seja um pouco “fora da caixa” para começar, mas quem resiste a um terror ecológico com o galã Sam Elliot (sem bigode, pasmem!)? Em “Frogs”, a natureza se revolta contra a poluição causada por uma família rica e arrogante. Confesso que a premissa é meio trash, mas a forma como o filme constrói a tensão e a atmosfera é surpreendente. É quase como se “Anaconda” encontrasse “O Massacre da Serra Elétrica”, mas com anfíbios vingativos.
‘Electra Glide In Blue’ (1973): Um Policial Fora da Lei (Dentro da Lei?)
Imagina um filme sobre um policial que ama ser policial, mas odeia os outros policiais? Essa é a premissa de “Electra Glide In Blue”, um drama policial com toques de road movie. O filme acompanha o oficial Wintergreen, interpretado por Robert Blake, em sua busca por reconhecimento e justiça em um sistema corrupto. A fotografia, assinada por Conrad Hall (o mago por trás de “Butch Cassidy and the Sundance Kid”), é simplesmente deslumbrante, capturando a beleza árida do Arizona.
‘Scarecrow’ (1973): Uma Amizade à Deriva
Com Gene Hackman e Al Pacino no elenco, “Scarecrow” é um daqueles filmes que te pegam de surpresa. A trama acompanha Max e Lion, dois homens que se unem em uma jornada pela América em busca de seus sonhos. Mas, ao invés de um conto inspirador, o filme nos mostra uma amizade frágil e marcada por desilusões. É como se “Butch Cassidy and the Sundance Kid” trocassem os assaltos a banco por lavagens de carro e crises existenciais.
‘The Strange One’ (1957): Sementes da Rebeldia
Apesar de ser anterior à Nova Hollywood propriamente dita, “The Strange One” já prenunciava os temas e a estética que marcariam o movimento. O filme, ambientado em uma academia militar, acompanha o sádico Jocko De Paris (interpretado por Ben Gazzara em sua estreia no cinema) em sua escalada de terror e humilhação. É uma crítica mordaz ao autoritarismo e à hipocrisia, com uma pitada de homoerotismo que desafiou os censores da época.
‘Popeye’ (1980): Um Marinheiro em Apuros (e Drogas?)
Robert Altman, um dos maiores nomes da Nova Hollywood, decidiu adaptar o clássico Popeye para os cinemas. O resultado? Uma produção caótica, marcada por problemas nos bastidores e um set “altamente” experimental (segundo boatos da época). Mas, apesar de suas falhas, “Popeye” tem um charme peculiar, com Robin Williams e Shelly Duvall entregando performances memoráveis como Popeye e Olivia Palito. É como se um desenho animado ganhasse vida em um mundo bizarro e musical.
‘Let’s Scare Jessica To Death’ (1971): Delírios de uma Mente Perturbada
Imagine Fleetwood Mac sob a perspectiva de Christine McVie, mas com fantasmas e paranoia. “Let’s Scare Jessica To Death” é um filme de terror psicológico que te deixa na dúvida sobre o que é real e o que é fruto da imaginação de Jessica, uma mulher recém-saída de um hospital psiquiátrico. O filme cria uma atmosfera inquietante, com paisagens bucólicas que escondem segredos sombrios.
‘A New Leaf’ (1971): Comédia Negra com um Toque de Romance
Elaine May, uma das vozes mais originais da comédia americana, dirigiu e estrelou “A New Leaf”, uma comédia negra sobre um playboy falido que decide se casar com uma botânica rica para assassiná-la e herdar sua fortuna. Mas, como o destino (e o humor) prega peças, ele acaba se apaixonando por sua vítima. É como se “Seinfeld” encontrasse “Pacto Sinistro”, com um toque de romance agridoce.
‘Seconds’ (1966): A Busca Desesperada pela Juventude Perdida
John Frankenheimer, um diretor conhecido por seus thrillers políticos, nos entrega em “Seconds” um filme perturbador sobre um banqueiro de meia-idade que decide mudar de vida através de uma empresa misteriosa que oferece uma nova identidade. Rock Hudson interpreta o protagonista em sua nova vida como um artista boêmio. O filme questiona os valores da sociedade e a busca incessante pela felicidade, com uma fotografia expressionista que reflete o estado de espírito do protagonista.
‘Zabriskie Point’ (1970): Um Deserto de Ideais e Contradições
Michelangelo Antonioni, um mestre do cinema italiano, tentou capturar o espírito da contracultura americana em “Zabriskie Point”. O resultado? Um filme controverso, que dividiu a crítica e o público. A trama acompanha um casal de jovens que se encontram no deserto de Zabriskie Point e vivem um romance fugaz. O filme é visualmente deslumbrante, com cenas icônicas como a “orgia de poeira”, mas peca pela superficialidade e pelos diálogos clichês.
‘Head’ (1968): A Desconstrução de uma Boy Band
Imagine levar seu filho para ver o filme da banda favorita dele e, de repente, se deparar com sereias psicodélicas e cenas de violência explícita. Essa é a experiência de assistir “Head”, o único filme da banda The Monkees. O filme é uma sátira ácida da indústria do entretenimento e da imagem fabricada da banda, com cenas surreais e participações especiais de Jack Nicholson e Frank Zappa. É como se os Beatles tivessem se juntado a David Lynch para fazer um filme nonsense.
E aí, curtiu a lista? Espero que sim! Agora é com você: prepare a pipoca, escolha um (ou todos) esses filmes e embarque em uma viagem pela Nova Hollywood, um período de ousadia, experimentação e muita, mas muita, criatividade.