Ah, o Nintendo Switch! Lembro-me bem daquele período dourado, onde parecia que a Nintendo estava em uma corrida de tirar o fôlego, entregando obras de arte magistralmente elaboradas quase sem esforço. Era como se cada lançamento de first-party fosse uma aula de design de jogos, elevando seus respectivos gêneros a novos patamares ou simplesmente redefinindo o que esperávamos de uma experiência Nintendo. Se você estava por perto durante o auge do Switch, sabia que suas franquias favoritas seriam bem servidas, e até mesmo títulos completamente novos surgiriam para nos surpreender. Mas agora, com a chegada iminente da próxima geração de portáteis da Big N, sinto que estamos vivendo um momento de introspecção, e isso me fez olhar para a biblioteca do Switch de uma forma diferente.
As Joias Escondidas Que Você Perdeu na Correria
Enquanto todos nós estávamos ocupados desbravando Hyrule em *Breath of the Wild* ou construindo a ilha perfeita em *Animal Crossing: New Horizons*, a Nintendo silenciosamente publicou dois títulos que, na minha humilde opinião de fã e jornalista aqui da InnovaGeek, foram injustamente esquecidos. E olha, eu sinto que é hora de consertar isso, porque *Good Job!* e *The Stretchers* representam o melhor do legado criativo do console. Sério, quando você procura por “melhores jogos cooperativos no Nintendo Switch”, é raro, *muito raro*, que esses dois apareçam. E isso é um crime!
*The Stretchers*, desenvolvido pela Tarsier Studios (sim, a mesma mente brilhante por trás de *Little Nightmares*!), me proporcionou algumas das risadas mais genuínas e caóticas que já tive jogando com alguém no Switch. É uma mistura genial de física maluca e travessuras de mundo aberto que me lembra a diversão descompromissada de *Moving Out* com a adrenalina de *Crazy Taxi*. Você e um amigo precisam resgatar pessoas em situações hilárias, e a física é tão imprevisível que cada partida é uma nova aventura. Já *Good Job!*, da Paladin Studios, é basicamente um convite para o caos. O jogo te encoraja a causar o máximo de destruição possível em níveis inteligentemente projetados para satisfazer aquele desejo primal de ver as coisas desmoronarem. É como um “simulador de estrago” corporativo, e é viciante!
O DNA Nintendo Além dos Blockbusters
Não estou aqui para dizer que *Good Job!* ou *The Stretchers* são os melhores jogos já feitos para o Switch – isso seria uma hipérbole. Mas o que eles *oferecem* é aquela diversão genuína e inconfundível que só a Nintendo consegue entregar. Sabe, aquele estilo de arte distinto e atemporal, a jogabilidade intuitiva e o foco em ser o mais divertido possível, mesmo com um orçamento limitado? É isso! Você poderia facilmente acreditar que a própria Nintendo criou esses jogos como projetos paralelos divertidos, e isso não é para desmerecer o trabalho duro dos desenvolvedores, mas sim para ilustrar o quão perfeitamente eles se encaixam no hardware e na filosofia da Nintendo de priorizar a diversão criativa sobre o brilho tecnológico.
Não me surpreende que, apesar de sua jogabilidade imensamente divertida e visuais estilosos, nenhum dos jogos tenha tido um desempenho comercial estrondoso ou seja muito comentado. A Nintendo não os divulgou particularmente bem, nem fez um esforço notável para o mercado de publicação de terceiros como suas concorrentes. É uma pena, porque jogos como *The Stretchers* e *Good Job!* são exatamente o que a Nintendo precisa de mais, e eles parecem perfeitamente adequados para o Switch 2, especialmente durante a atual “seca” de grandes títulos de first-party.
A Estratégia Secreta para o Switch 2?
Muito se tem falado sobre a falta de lançamentos de first-party durante o primeiro ano do Switch 2. É um ponto de discórdia há algum tempo, especialmente porque seu predecessor teve um lançamento incrivelmente impressionante, com títulos que definiram gêneros e o próprio console, como *Breath of the Wild*. Claro, nem todo console pode ser mantido no mesmo padrão do Switch original, e seria desonesto desconsiderar o valor que a safra atual de títulos do Switch 2 (mesmo que ainda não oficialmente anunciados) entregará aos fãs. No entanto, é difícil negar que a escassez de títulos de first-party no lançamento é um pouco decepcionante.
Felizmente, jogos como *The Stretchers* e *Good Job!* oferecem uma solução óbvia para esse problema. Terceirizar a criação de títulos menores para preencher a lacuna entre os grandes lançamentos permite que a Nintendo concentre seus recursos internamente, ao mesmo tempo em que oferece oportunidades de trabalho para desenvolvedores menores que talvez tivessem dificuldades de outra forma. Não estou dizendo que investir nesses projetos não custaria dinheiro à Nintendo, mas, especialmente se construídos na mesma escala e escopo desses títulos publicados pela Nintendo, provavelmente seria um investimento significativamente menor do que a criação de novas IPs originais de estúdios first-party ou internos.
A ideia de desenvolvedoras AAA como Nintendo e PlayStation produzirem jogos de equipes terceirizadas menores não é exatamente nova, mas tem saído um pouco de moda ultimamente. Embora ainda apoiem desenvolvedores independentes e a produção de exclusivos AA, isso ocorre em uma escala muito menor e muitas vezes em circunstâncias muito específicas, como o Hero Project regional da PlayStation. Faz todo o sentido utilizar a expertise de outros desenvolvedores para entregar jogos em nichos que a própria Nintendo talvez não seja capaz ou melhor equipada para atingir, especialmente em seu caso, já que ela começa a se ramificar além de suas franquias familiares. Antes do lançamento de *Good Job!* e *The Stretchers* no Switch, a Nintendo realmente não tinha nada parecido em seu arsenal, o que permitiu que ela explorasse um nicho cada vez mais popular na época.
No mínimo, seria ótimo ver uma maior variedade de jogos produzidos pela Nintendo, além de sua esperada litania de rostos e experiências familiares. Eles não precisam ser revolucionários ou definidores de gênero; essas experiências podem ser deixadas para os títulos de first-party. Tudo o que eles precisam fazer é preencher uma lacuna entre os lançamentos, expandir as ofertas da Nintendo e oferecer a estúdios novos e existentes a oportunidade de trabalhar na “caixa de areia” da Nintendo ou entregar ideias únicas que capitalizem a expertise que o braço editorial da Nintendo pode oferecer. Claro, nada disso pode acontecer, já que a Nintendo pode considerá-lo muito caro ou pode ter tido experiências fracassadas em tentativas anteriores e achar que não vale a pena tentar novamente. Francamente, se for esse o caso, pelo menos tivemos *The Stretchers* e *Good Job!*, dois jogos que valem muito a pena jogar e que eu fortemente aconselho a pegar hoje mesmo. Confie em mim, você não vai se arrepender.