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1968: O Ano em que a Ficção Científica Deixou de Ser Nerd e Dominou o Mundo

  • novembro 8, 2025
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Preparem seus capacetes espaciais e liguem os motores, porque hoje vamos viajar no tempo! Mais precisamente, para 1968, um ano que mudou para sempre a cara da ficção

1968: O Ano em que a Ficção Científica Deixou de Ser Nerd e Dominou o Mundo

Preparem seus capacetes espaciais e liguem os motores, porque hoje vamos viajar no tempo! Mais precisamente, para 1968, um ano que mudou para sempre a cara da ficção científica. Sabe aqueles filmes e livros que te fazem questionar a realidade, a tecnologia e o futuro da humanidade? Pois é, muitos deles devem seus genes a três obras-primas que surgiram nesse ano mágico. Prepare-se para uma explosão de nostalgia, análises afiadas e, claro, muita opinião de fã!

2001: Uma Odisseia no Espaço: Quando a Arte Encontrou a Ficção Científica

Para mim, “2001: Uma Odisseia no Espaço” é o momento em que a ficção científica deixou de ser “filme de nave espacial” e se tornou cinema de verdade. Stanley Kubrick não apenas elevou o gênero – ele o reinventou! Aquele realismo técnico, o ritmo hipnótico e o silêncio assustador do espaço fizeram o público sentir algo novo: o vazio existencial. Kubrick tratou a ficção científica com a mesma seriedade que Ingmar Bergman dedicava ao existencialismo. E o mais impressionante é que ele fez isso dentro de uma produção de estúdio, com um orçamento gigante e expectativas comerciais altíssimas.

O filme é mais uma experiência do que uma narrativa tradicional. Baseado na obra de Arthur C. Clarke, sua trama minimalista, que acompanha um misterioso monolito guiando a evolução humana, foca menos no que acontece e mais no que aquilo significa. HAL 9000 não é só uma IA rebelde; é o primeiro personagem artificial realmente complexo da história do cinema (e um dos maiores vilões), porque ele é o espelho do nosso medo de sermos superados pelas nossas próprias criações. E, para mim, o maior impacto do filme vem da forma como ele aborda essas ideias, recusando-se a explicar tudo e forçando o espectador a pensar. Até hoje, é considerado um filme que ninguém entende completamente.

Essa ousadia visual e conceitual mudou tudo. De “Star Wars” a “Interestelar”, quase todo filme de ficção científica desde então segue as regras estabelecidas por Kubrick: realismo científico, vasto silêncio e a ideia de que o espaço é um personagem, não apenas um cenário. Em 1968, ficção científica ainda era “coisa de nerd”, mas “2001: Uma Odisseia no Espaço” a colocou no mesmo patamar de dramas premiados. É o filme que tornou a ficção científica respeitável.

Planeta dos Macacos: Um Espelho da Nossa Própria Loucura

Enquanto um filme olhava para as estrelas, outro voltou seus olhos para a Terra – e o que viu não foi nada bonito. Adoro como “Planeta dos Macacos” começa como uma aventura simples sobre astronautas presos em um planeta estranho e termina como uma crítica social brutal da natureza humana. Claro, é fácil rir da ideia de macacos falantes, mas este é, na verdade, um dos filmes politicamente mais inteligentes que Hollywood já fez.

Escrito por Rod Serling, o gênio por trás de “Além da Imaginação” (“The Twilight Zone”), o roteiro é afiado como uma navalha e cheio de ironia. A inversão de papéis, com macacos no poder e humanos como subespécie, é uma crítica direta às desigualdades raciais, sociais e morais. E aquele final – George Taylor (Charlton Heston) ajoelhado diante da Estátua da Liberdade destruída – continua sendo um dos momentos mais impactantes do cinema. A mensagem é simples, mas devastadora: a humanidade se autodestruiu. Lembro de ter assistido àquela cena pela primeira vez e ter ficado em silêncio absoluto. É um daqueles plot twists que ressignificam completamente a história, jogando a culpa de volta para o público. É o que Martin Scorsese chamaria de “cinema absoluto”.

“Planeta dos Macacos” provou que a ficção científica podia abordar temas sérios sem perder o público. Ele equilibrou entretenimento e crítica com uma ousadia que poucos filmes conseguiram igualar – e lembrem-se, isso foi em 1968. Décadas depois, a franquia foi revivida não apenas por nostalgia, mas porque seus temas ainda são relevantes hoje. De guerras ideológicas ao colapso ambiental, tudo ainda se aplica. O filme mostra que o futuro só é tão aterrorizante porque reflete o nosso presente.

Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?: A Profecia Cyberpunk que Mudou Tudo

Enquanto o cinema já estava se transformando, a literatura começava a correr atrás – graças a Philip K. Dick, cujo romance “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?” passou quase despercebido quando foi lançado. Ele não tinha o poder visual daqueles dois filmes grandiosos, mas suas ideias eram tão fortes que acabaram influenciando quase tudo que veio depois. Quando eu o li pela primeira vez, finalmente entendi por que os fãs de ficção científica falam dele com tanta reverência. Dick não estava tentando escrever sobre o futuro; ele queria entender o que acontece com a alma humana dentro dele. E, para 1968, isso era revolucionário.

A história se passa em um mundo pós-apocalíptico, e acompanha Rick Deckard, um caçador de recompensas encarregado de “aposentar” androides que são indistinguíveis de humanos. Mas, quanto mais ele faz isso, menos certeza tem sobre o que significa estar vivo. Esse questionamento constante sobre empatia, consciência e autenticidade é o que torna o livro tão brilhante. Dick basicamente previu todos os debates modernos sobre tecnologia: Qual a diferença entre uma emoção real e uma programada? O que acontece quando as máquinas começam a sentir, e nós esquecemos como?

Demorou anos para o livro receber o reconhecimento que merecia, e só quando Ridley Scott o adaptou para “Blade Runner” em 1982 é que seu gênio foi totalmente compreendido. O cineasta transformou o medo existencial de Dick em neon e chuva, mas manteve a alma filosófica intacta. E é incrível pensar que tudo começou lá nos anos 60, com um romance que pouca gente notou. Para mim, é a ponte entre a ficção científica clássica e a moderna – o ponto em que o gênero deixou de ser sobre tecnologia e começou a ser sobre consciência. Sem ele, não existiria cyberpunk, e provavelmente nenhuma discussão real sobre IA como a conhecemos.

Olhando para 1968, não vejo apenas um ponto de virada – vejo o nascimento da ficção científica moderna. Foi quando o gênero parou de pedir permissão e começou a dominar nossa imaginação coletiva. Sem “2001”, “Planeta dos Macacos” e “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”, talvez o público nunca tivesse aprendido a levar a ficção científica a sério. “Alien” não teria seu terror existencial, “O Exterminador do Futuro” não questionaria o destino e a tecnologia da mesma forma, e “Matrix” não mergulharia tão profundamente na linha entre realidade e ilusão. Essas obras construíram a base sobre a qual todas as outras histórias de ficção científica se apoiam e, honestamente, ninguém nunca superou totalmente seu impacto. Elas provaram que o gênero não precisava escolher entre entretenimento e profundidade; podia fazer os dois, e ainda te deixar questionando o que realmente significa ser humano.

Cinquenta e sete anos atrás, o cinema mudou para sempre – e isso não é só nostalgia, mas revisitar o momento em que a ficção científica amadureceu. Foi quando o gênero parou de fingir que previa o futuro e começou a confrontar a verdade sobre o presente. Porque, no fim das contas, a melhor ficção científica não é aquela que te distrai por duas horas, mas aquela que fica na sua mente e nunca mais te abandona.

E aí, o que você acha desses filmes? Acha que eles realmente mudaram tudo no mundo da ficção científica? Deixe sua opinião nos comentários!

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