Desde o surgimento de heróis como Superman e Batman nas décadas de 70 e 80, o cinema de super-heróis passou por uma verdadeira revolução. Mas foi a partir de 1999 que a coisa realmente decolou, e um personagem em especial deixou sua marca: o nosso amigão da vizinhança, o Homem-Aranha! Com três atores diferentes interpretando o herói em oito filmes live-action, algumas tendências (nem sempre positivas) se repetem. Será que a gente nunca aprende com os erros?
Vilões Descartáveis: Um Erro Clássico
Uma das maiores falhas, especialmente na trilogia original de Sam Raimi, era a mania de eliminar os vilões no final de cada filme. Entendo que, naquela época, essa era uma prática comum nos filmes de super-heróis. Mas, poxa, custava deixar uma porta aberta para um retorno triunfal? Até mesmo “O Espetacular Homem-Aranha” e os filmes do MCU pecam um pouco nisso, mandando os vilões para a prisão e adiando indefinidamente seu retorno. Nos quadrinhos, a gente sempre espera que os supervilões voltem a dar as caras – é parte da magia!
Lançadores de Teia Infinitos: Conveniência Demais?
Os filmes de Sam Raimi tentaram driblar essa questão com os “lançadores orgânicos”, mas mesmo assim tiveram que lidar com o problema eventualmente. Já nos filmes do MCU e em “O Espetacular Homem-Aranha”, Peter volta a fabricar suas próprias teias. Nos quadrinhos, é comum vermos o Aranha despreparado ou sem teia suficiente para completar uma tarefa. Mas, nos filmes, isso quase nunca acontece.
Até mesmo em “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”, a questão é abordada de forma superficial, com os três Peters conversando sobre suas teias e os Peters 1 e 3 tendo que fabricar mais teias antes da batalha final. É uma cena divertida, mas serve mais para reunir os três atores do que para resolver o problema de fato.
Elenco de Apoio Superficial: Cadê os Amigos do Aranha?
Uma das marcas registradas das histórias do Homem-Aranha nos quadrinhos é seu elenco de apoio. Ao longo dos anos, alguns personagens foram substituídos, mas a maioria é consistente e familiar. Os filmes de Raimi ignoram isso, focando nos relacionamentos de Peter com Mary Jane, Harry e Tia May. Já “O Espetacular Homem-Aranha” prioriza o romance com Gwen e… adivinhem? Tia May! Os filmes do MCU trazem mais personagens, como Ned, Flash e Betty Brant, além de MJ e… sim, Tia May!
Existem tantos personagens secundários incríveis nas histórias do Aranha! Às vezes, os mais importantes nem sequer aparecem. Mesmo com as tentativas de expandir o elenco, os personagens secundários nos filmes do MCU acabam ofuscados pela ação e pelo relacionamento de Peter com MJ, interagindo mais entre si do que com o próprio Peter. Afinal, filmes têm menos tempo de tela do que quadrinhos.
Física? Pra Que Física?: Licença Poética ou Desleixo?
A gente até suspende a descrença quando se trata de filmes de super-heróis e suas interpretações das leis da física. Mas os filmes do Homem-Aranha extrapolam os limites sem pensar duas vezes. Quem nunca se impressionou (ou se irritou) com a capacidade do herói de parar objetos em alta velocidade com uma simples teia, ou impedir um trem de descarrilar? A boa notícia é que já aceitamos a ideia de que uma aranha radioativa deu superpoderes a um adolescente. Então, ignorar a realidade de como um pêndulo funciona ou como a gravidade age se torna mais fácil. Mas, se você for um nerd da ciência, vai encontrar erros em todos os filmes.
A Linha do Tempo Maluca: Acontece Tudo Rápido Demais!
Assim como a física, a velocidade com que as coisas acontecem nos filmes do Homem-Aranha não deve ser analisada com muito rigor. A linha do tempo dos eventos é, no mínimo, acelerada.
“Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”, por exemplo, começa imediatamente após os eventos de “Homem-Aranha: Longe de Casa”. Embora faça sentido após o final chocante com a revelação da identidade de Peter, a trama não se sustenta quando lembramos que “Longe de Casa” se passa durante o verão, e “Sem Volta Para Casa” começa no início do ano letivo (com direito a inscrições para a faculdade!). Sem falar na rapidez com que os problemas com a identidade de Peter são resolvidos graças a Matt Murdock e ao encontro com o Doutor Estranho. Tudo acontece em questão de minutos, sem dar tempo para o Aranha respirar.
Tramas Abandonadas: Promessas Que Nunca Se Cumprem
Alguns filmes são mais culpados do que outros, mas todos pecaram nisso. Os filmes de Raimi introduziam personagens que poderiam ter um papel importante no futuro, como John Jameson, Gwen Stacy e, principalmente, Curt Connors, mas nunca os aproveitavam. Os filmes do MCU nos deixaram na expectativa de ver Miles Morales, com a participação de Donald Glover como Aaron Davis, e alguns vilões foram simplesmente descartados (embora um deles esteja voltando).
Mas o maior exemplo de promessas não cumpridas é “O Espetacular Homem-Aranha 2” (2014). O filme faz diversas alusões a vilões que nunca chegaram às telonas, como o misterioso “Cavalheiro”, que parecia interessado em formar o Sexteto Sinistro, além de referências a Mary Jane e Gata Negra. Era um plano ambicioso, mas que nunca se concretizou.
Preocupação Excessiva com Outros Filmes: A Síndrome da Sequência Perfeita
O problema de reiniciar o Homem-Aranha tantas vezes é que a Sony acaba tomando decisões baseadas em tendências de Hollywood ou tentando se distanciar do que já foi feito. “O Espetacular Homem-Aranha” foi uma tentativa clara de modernizar a série, aproveitando o sucesso de “Crepúsculo” e construindo um universo cinematográfico. Já os filmes do MCU focaram em voltar às origens, distanciando-se da grandiosidade dos filmes “Amazing” e garantindo que o herói se encaixasse no universo Marvel.
Até mesmo os filmes de Raimi buscavam se diferenciar, mas não dos outros filmes do Aranha. Em vez disso, eles queriam se destacar dos outros filmes da Marvel da época, como os filmes dos X-Men dirigidos por Bryan Singer, resgatando o espírito dos quadrinhos dos anos 60 em vez de adotar uma abordagem mais moderna.