Quem diria que um dos maiores clássicos da TV, o faroeste “Bonanza”, quase foi para o buraco logo de cara? A série, que acompanhava as aventuras da família Cartwright no rancho Ponderosa, conquistou o coração de muita gente, mas sua trajetória até o sucesso foi mais turbulenta do que um rodeio! Preparem seus chapéus e botas, porque essa história tem reviravoltas dignas de um bom saloon!
Um Piloto Irreconhecível e Críticas Nada Amigáveis
É difícil imaginar, mas o piloto de “Bonanza” foi considerado um fracasso! Segundo Andrew J. Klyde, especialista na série, o episódio tinha “tudo, exceto a pia da cozinha”. A Variety detonou, chamando-o de “colcha de retalhos de ideias de estoque”. E não era para menos: os Cartwrights eram quase irreconhecíveis, mais parecidos com os “Corleones do lodo Comstock” do que com a família amável que aprendemos a amar. Imagina só, Little Joe dando um tiro sem pensar duas vezes! Chocante!
A Sombra de Perry Mason e um Orçamento Extravagante
Além da recepção fria, “Bonanza” enfrentava um adversário de peso: “Perry Mason”, um fenômeno de audiência na época. Para piorar, a série tinha um orçamento altíssimo, 25% maior que as outras produções, por ser filmada em cores. Naquela época, TV em cores era artigo de luxo, quase uma tecnologia alienígena! O criador da série, David Dortort, até tentou cobrir a diferença, mas não foi suficiente para convencer os executivos da NBC. O cancelamento parecia inevitável após apenas seis episódios.
A Salvação Inesperada: Um Defensor e a Ganância da RCA
Eis que surge um herói improvável: Fred Hamilton, um associado do chefe de programação da NBC, que acreditava no potencial de “Bonanza”. Ele convenceu Alan Livingstone a dar uma chance à série, e essa aposta mudaria tudo. Mas a reviravolta mais surpreendente veio da própria NBC, que na época era propriedade da RCA, uma empresa que fabricava televisores coloridos. Sim, caros leitores, a ganância corporativa salvou “Bonanza”! A RCA precisava de programas em cores para impulsionar a venda de seus aparelhos, e “Bonanza” era o carro-chefe dessa estratégia. É como se a série fosse um comercial gigante de TV em cores!
A Transformação dos Cartwrights e o Sucesso Duradouro
Além da jogada da RCA, “Bonanza” também se beneficiou de uma mudança crucial na caracterização dos Cartwrights. Lorne Greene, o intérprete de Ben, questionou a postura agressiva da família e sugeriu que eles fossem mais amigáveis e benevolentes. A partir do 13º episódio, os Cartwrights se tornaram defensores da moralidade, da igualdade e da boa vontade, temas que ressoaram com o público e garantiram o sucesso da série. Essa guinada me lembra um pouco a evolução de alguns personagens de “Breaking Bad”, que começam de um jeito e terminam completamente diferentes.
De Cancelada a Clássico: O Legado de Bonanza
No fim das contas, “Bonanza” se tornou um dos maiores clássicos da TV, com 14 temporadas e um legado que transcende gerações. A série lançou seus atores ao estrelato e abordou temas importantes com sensibilidade e inteligência. Uma lição para Hollywood de que, às vezes, é preciso acreditar no potencial de uma produção, mesmo quando tudo parece conspirar contra ela. E, claro, que a ganância corporativa pode ter seus momentos de glória (mas não vamos usar isso como desculpa para justificar práticas abusivas, ok?).